sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

As vezes é preciso rasgar todas minhas paginas de dentro pra que se possa escrever uma nova historia.E reescrever algo significa jogar fora todos os travessões atravessados no contexto e colocar uma nova pontuação. Fala alto a experiência que brinca de intuição. Reescrevo-me diariamente e acho que assusto quem de fora me olha. Só quem consegue enxergar minha existência entende esse lado lúcido e quase inconsequente de viver. Acredito ser tão minha que as vezes, inconsciente, me perco. É como se eu me trancasse por dentro e guardasse a chave do lado de fora, poucos conseguem me abrir por inteiro. Sou feita de emergências quietas, sou imersa em águas claras e profundas. Meu mergulho no hoje me faz perceber os antônimos que brincam em mim. Corpo quente beijado pelo Sol versus o mar salgado de sonhos, congelando meus pensamentos. Deitada sobre as ondas confundo meus cabelos com as ideias, que ja estavam quase dormentes pelo frio da correnteza. A incerteza de estar certa formigam na mente. Afundo-me em totais exageros por querer-me eu. Meu jeito simples me entende na maioria das vezes. meu jeito urgente me estende ate o limite do meu autoconhecimento. As vezes me aceito com todas as dores e alegrias que meu nome de flor carrega. Outras carrego o fardo de uma sensibilidade exagerada, que cospe no encantamento do meu dia-a-dia inventado. Ainda assim prefiro ser superlativo de mim mesma. Construo-me com todos meus conflitos, pendências, chuvas, decepções, indagações,êxtases, magoas, aplausos, abraços, despedidas, chegadas, renuncias, denuncias, apegos, atalhos, detalhes, consolos, silencio e explosão. Tantas vezes me pego fazendo uma coletânea de mim, bem ao estilo "O melhor de", onde posso somente estar disponível ao que incrementa meu refrão.
Tudo é matéria prima que esculpe essa mola interna que vive no meu dentro. Sou impulso de vida e expulso da minha rotina quem respira acomodação. Porque quase tudo que habita em mim não descansa, arde.

Um comentário:

Cris disse...

Algo lindo nunca é demais para sê-lo. Mas só consigo dizer que é lindo demais esse seu texto!