segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Pedi a ele para fazer um canto do meu conto. 
Logo escuto o encanto do encontro dos meus versos entrelaçados à melodia das suas cordas. Acordo cada canto do meu corpo e conto a todos, toda cheia de mim, que meu amor viveu para encontrar o teu dentro. 


E foi o teu dentro que me ensinou a cantarolar.....




laralá ( canto de saudade)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Mais tempo

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Na pauta de hoje esta a pausa de amanhã........

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

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E eu, que esqueci de ir embora
sentada na esquina da hora
me vi passar e me perdi.......


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Asunción de ti ( Mario Benedetti)



Quién hubiera creído que se hallaba
sola en el aire, oculta,
tu mirada.
Quién hubiera creído esa terrible
ocasión de nacer puesta al alcance
de mi suerte y mis ojos,
y que tú y yo iríamos, despojados
de todo bien, de todo mal, de todo,
a aherrojarnos en el mismo silencio,
a inclinarnos sobre la misma fuente
para vernos y vernos
mutuamente espiados en el fondo,
temblando desde el agua,
descubriendo, pretendiendo alcanzar
quién eras tú detrás de esa cortina,
quién era yo detrás de mí.
Y todavía no hemos visto nada.
Espero que alguien venga, inexorable,
siempre temo y espero,
y acabe por nombrarnos en un signo,
por situarnos en alguna estación
por dejarnos allí, como dos gritos
de asombro.
Pero nunca será. Tú no eres ésa,
yo no soy ése, ésos, los que fuimos
antes de ser nosotros.

Eras sí pero ahora

suenas un poco a mí.
Era sí pero ahora
vengo un poco de ti.
No demasiado, solamente un toque,
acaso un leve riesgo familiar,
pero que fuerce a todos a abarcarnos
a ti y a mí cuando nos piensen solos.

2

Hemos llegado al crepúsculo neutro
donde el día y la noche se funden y se igualan.
Nadie podrá olvidar este descanso.
Pasa sobre mis párpados el cielo fácil
a dejarme los ojos vacíos de ciudad.
No pienses ahora en el tiempo de agujas,
en el tiempo de pobres desesperaciones.
Ahora sólo existe el anhelo desnudo,
el sol que se desprende de sus nubes de llanto,
tu rostro que se interna noche adentro
hasta sólo ser voz y rumor de sonrisa.

3

Puedes querer el alba
cuando ames.
Puedes
venir a reclamarte como eres.
He conservado intacto tu paisaje.
Lo dejaré en tus manos
cuando éstas lleguen, como siempre,
anunciándote.
Puedes
venir a reclamarte como eras.
Aunque ya no seas tú.
Aunque mi voz te espere
sola en su azar
quemando
y tu sueño sea eso y mucho más.
Puedes amar el alba
cuando quieras.
Mi soledad ha aprendido a ostentarte.
Esta noche, otra noche
tú estarás
y volverá a gemir el tiempo giratorio
y los labios dirán
esta paz ahora, esta paz ahora.
Ahora puede venir a reclamarte,
penetrar en tus sábanas de alegre angustia,
reconocer tu tibio corazón sin excusas,
los cuadros persuadidos,
saberte aquí.
Habrá para vivir cualquier huida
y el momento de la espuma y el sol
que aquí permanecieron.
Habrá para aprender otra piedad
y el momento del sueño y el amor
que aquí permanecieron.
Esta noche, otra noche 
tú estarás,
tibia estarás al alcance de mis ojos,
lejos ya de la ausencia que no nos pertenece.
He conservado intacto tu paisaje
pero no sé hasta dónde esté intacto sin ti,
sin que tú le prometas horizontes de niebla,
sin que tú le reclames su ventana de arena.
Puedes querer el alba cuando ames.
Debes venir a reclamarte como eras.
Aunque ya no seas tú,
aunque contigo traigas
dolor y otros milagros.
Aunque seas otro rostro 
de tu cielo hasta mí.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012




"O estômago revirado
na boca da noite,
A lua rolando no escorrega,
Meu coração tomando vento
e soprando estrelas a cada batida,
Sua voz sem fim,
em mim.
Sou da cor do impossível
diminuto inesquecível,
maçã mordida ao acaso,
coisa que se enrola num
casulo
sem abraço."

( do blog da amiga Be Lins )
"La poesía vive en las capas más profundas del ser, en tanto que las ideologías y todo lo que llamamos ideas y opiniones constituyen los estratos más superficiales de la conciencia. El poema se nutre del lenguaje vivo de una comunidad, de sus mitos, sus sueños y sus pasiones, esto es, de sus tendencias más secretas y poderosas. El poema funda al pueblo porque el poeta remonta la corriente del lenguaje y bebe en la fuente original. En el poema la sociedad se enfrenta con los fundamentos de su ser, con su palabra primera."


Octavio Paz

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Entre dois pontos, a reta
entre o eco e o oco, o vazio
entre o alvo e o tempo,a meta
entre o frio e o sopro, o arrepio.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A Alegria na tirsteza

O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.

O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.

Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.

Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.

Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.
Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.

Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada.
Martha Medeiros

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O sonho do poeta





O sonho de um poeta é capturar a inspiração inquieta e guarda-la na gaveta dos pensamentos.
Como quem corre atras de borboletas em um vendaval e segura uma com o cuidado que pede o tempo.
E debruçando as silabas no canto de cada frase, nasce o encanto de voar palavras, sopros e suspiros de cristal que dançam em forma de linha reta. Cada virgula certa é a pausa do depoimento do coração, é o soluço aceso no excesso de sentimento que, ao declarar-se a sua amada, torna o sonho do poeta uma obra acabada, escrevendo rimas de forma declarada o que ainda não é esquecimento.




Sonhar e não ficar sem ar......
....Sonha a dor quem é poeta





segunda-feira, 27 de junho de 2011

Três meses e um oceano




Quando dois sonhos se beijam, voam os borboLETRAS dos versos meus....

(nossa primeira musica juntos....) e misturados.....
Fiquei presa na prosa e to sem pausa nem pressa de ir embora....e agora?

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Gosto de sapato gasto porque é mais macio. Gosto de quem chega de mansinho sem gastar o tempo. Do beijo demorado que da arrepio, com gosto de fruta madura, de quem não joga fora o sentimento. Gosto de ouvir conto, de cantar no chuveiro, de estar inspirada. Faço do meu sonho meu parceiro, o rumo torto da minha estrada. Gosto do diferente, do de repente, gosto de gostar de gente.
De ter asas amarradas nas nuvens e enroscar os pés nos pés de quem me esquente. Não gosto de esperar no ponto, de perder a hora, de não estar pronta quando ele já esta indo embora. Gasto minhas palavras com gosto, formando o rosto das frases mais improváveis. Formo rimas desafinadas para desafiar a gravidade dos versos. Escrevo o inverso do que a sanidade me impõe. Meu tempo, o tempo todo, me propõe tempestade e eu, gosto do canto calmo e furioso do vento onde declamo tudo que invento, onde posso esquecer a minha idade.

sábado, 14 de maio de 2011

Um dia você aprende


Depois de algum tempo vc aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E vc aprende que amar não significa apoiar-se, q companhia nem sempre significa segurança, e começa a aprender que beijos ñ são contratos, e que presentes ñ são promessas.
Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, c/ a graça de um adulto e ñ c/ a tristeza de uma criança; aprende a construir todas as suas estradas no hj, pq o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo, e aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai ferí-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais, e descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida; aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias, e o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida, e que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que eles mudam; percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve compará-los com os outros, mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas onde se está indo, mas se você não sabe para onde está indo qualquer lugar serve.
Aprende que ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se; aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou;
aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha; aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens; poucas coisas são tão humilhantes... e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando se está com raiva se tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém; algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás, portanto, plante seu jardim e decore sua alma ao invés de esperar que alguém lhe traga flores, e você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
Descobre que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.
William Shakespeare

terça-feira, 26 de abril de 2011



...por vezes remendada no meu próprio incremento, sento-me a beira dos meus tortuosos pensamentos.

sinto-me atordoada pelo tempo que perdi atrasada em encontrar-me e, assim sendo, fujo e finjo que não entendo. Perco a hora, perco o assento.....
Brinco de correr. Corro atravessando meu travesseiro e lá me escondo.
Me escondo tão bem que de repente..... nao me acho mais.......

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme
de medo.
Olha para trás, para toda a jornada,os cumes, as montanhas,
o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos
povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar
nele nada mais é do que desaparecer para sempre.
Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar.
Ninguém pode voltar.Voltar é impossível na existência. Você
pode apenas ir em frente.
O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.
E somente quando ele entra no oceano é que o medo
desaparece.
Porque apenas então o rio saberá que não se trata de
desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano.
Por um lado é desaparecimento e por outro lado é
renascimento.
Assim somos nós.
Só podemos ir em frente e arriscar.
Coragem !! Avance firme e torne-se Oceano!!!

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A palavra coragem é muito interessante. Ela vem da raiz latina cor, que significa "coração". Portanto, ser corajoso significa viver com o coração. E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça; receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas – com teologia, conceitos, palavras, teorias – e do lado de dentro dessas portas e janelas, eles se escondem.

O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido. É deixar o passado para trás e deixar o futuro ser. Coragem é seguir trilhas perigosas. A vida é perigosa. E só os covardes podem evitar o perigo – mas aí já estão mortos. A pessoa que está viva, realmente viva, sempre enfrentará o desconhecido. O perigo está presente, mas ela assumirá o risco. O coração está sempre pronto para enfrentar riscos; o coração é um jogador. A cabeça é um homem de negócios. Ela sempre calcula – ela é astuta. O coração nunca calcula nada.

Osho

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Receita de Ano Novo


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Volta




Se nos altos montes coroados de ausencia o eco repete seu nome, meu amor,
estarei eu, atravessando as fronteiras dos meus sonhos para te buscar.
Se nesse caminho tortuoso encherem seus olhos de mar, amor meu,
declama minha poesia ao infinito,
junta seu pranto ao mistério da vida,
e mistura nosso encanto no rosto da lua.
Assim, minha vida, o que for meu te leva paz e o que for seu me traz alegria.
E que nosso canto, cosntruido a cada dia e esculpido pela espera,
se torne senhor de nossos territórios virgens
e se costure entre seu lábio e meu quadril.
Onde tudo nessa terra é nosso
onde navego nua por seus olhos cafés
mergulhando segundos eternos que passam lentos
e mais tantos outros que tornam lenda nossa espera
concluída numa esfera de sentimento.
Eu e você somos tudo e todos
onde a vida começa pelo incremento do capricho do tempo.
Estarei eu, entre a melodia e a vírgula
presa em prosa aguardando sua chegada
amor meu, meu amor
nessa longa estrada tudo que é meu é tão seu
tudo começa agora, na mesma hora que se demora
todo o inicio sem pressa ou pausa ja começou.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Refluxos e reflexões

É como se todas as minhas crenças e valores fossem solúveis e jogadas sem cuidado num copo d’água……
Ainda no canto do copo, ao lado do fundo, ficaram os sonhos.
E ainda canto fazendo rodamoinho em água morna, acostumada a correr sempre no mesmo sentido. Pois como? Se pra mim, não faz nenhum sentido deixar-me levar.
Se misturo minha essência nessa indecência moral, sinto-me afogada por meus próprios ideais e mato minhas idéias, minha criação e minha reação.
Não acomodar-me com o igual e a transparência da minha água que, correndo contra o fluxo cuspido do frio cotidiano moderno me induz a remar contra a maré. E me seduz a amar, a derramar o que ainda acredito que nunca deixou de ser e ainda é.
(desabafo)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

"A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. É o mais independente. 

Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido. 

Afinidade é não haver tempo mediando a vida. 
É uma vitória do adivinhado sobre o real. 
Do subjetivo para o objetivo. 
Do permanente sobre o passageiro. 
Do básico sobre o superficial. 
Ter afinidade é muito raro. 

Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. 
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas. 
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade. 

Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. 
É ficar conversando sem trocar palavras. 
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento. 

Afinidade é sentir com. Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo. 
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado. 
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios. 

Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. 
É olhar e perceber. É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar. 

Afinidade é jamais sentir por. 
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo. 
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar. 
Compreende sem ocupar o lugar do outro. 
Aceita para poder questionar. Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar. 

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. 
É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidade vividas. 

Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. 
Porque tempo e separação nunca existiram. 
Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar. 
E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais a expressão do outro sob a forma ampliada do eu individual aprimorado." 

Artur da Távola 


É meio-dia no meu peito.
E o sol do seu sorriso faz-me inteira.
Faz de mim uma flecha certeira em direção ao alvo em movimento.
Passa o dia todo com passos lentos
Passo todo dia esperando sua chegada
e no aconchego da rotina aprendo a aguardar sua estada
és feito de sonhos guardados, esperanças perdidas, suspiros empoeirados
que, na estrada da vida, de tão altos e quentes, brincaram de me iludir ao longo dos anos e dos enganos
que, de tão esperados, fingiam ser conto de fadas, usando máscaras disfarçadas
adormecendo meu desejo lucido e insano
Eu era uma flor no seu jardim de pensamento
ja existia sem rosto, sem dono, sem ponto e sem acento
um girassol a buscar calor nos braços do tempo
e, de tocar o intocável fomos costurando nosso canto
como se, no fechar dos olhos, nosso encontro misturado ao infinito
narrasse um conto em realidade, tão sagrado e tão bonito
imortalizando nossas vidas em rima, em melodia
fazendo-me sua obra acababa e uma afinada poesia
O sol invade então a extensão de meus dedos, que,
sutilmente acariciam a face das estrelas
o sol agora habita meus lábios e sua musica,que ainda sem estrofe
ja começa a trilhar um norte atraves de meu rosto,
ja encerra todo meu universo esculpido de realidade,
ja mascara minha idade quando brinco de ser menina diante de força tamanha, estranha e tão conhecida.
sinto-me plena de mim, sentada a beira da minha esquina onde esperava sua chegada
É meia-noite na minha espera
somos agora noite e dia da mesma verdade
metade do mesmo ser espalhados em esperança
a semelhança e a certeza misturadas em vontade
a sempre sensação de sanidade ao sentir que...
...eu ja te conhecia, só não sabia seu nome.




segunda-feira, 4 de outubro de 2010

“O Arco e a Lira” de Octavio Paz.


INTRODUÇÃO
A poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono. Operação capaz de transformar o mundo, a atividade poética é revolucionária por natureza; exercício espiritual, é um método de libertação interior. A poesia revela este mundo; cria outro. Pão dos eleitos; alimento maldito. Isola; une. Convite à viagem; regresso à terra natal. Inspiração, respiração, exercício muscular. Súplica ao vazio, diálogo com a ausência, é alimentada pelo tédio, pela angústia e pelo desespero. Oração, litania, epifania, presença. Exorcismo, conjuro, magia. Sublimação, compensação, condensação do inconsciente. Expressão histórica de raças, nações, classes. Nega a história: em seu seio resolvem-se todos os conflitos objetivos e o homem adquire, afinal, a consciência de ser algo mais que passagem. Experiência, sentimento, emoção, intuição, pensamento não-dirigido. Filha do acaso; fruto do cálculo. Arte de falar em forma superior; linguagem primitiva. Obediência às regras; criação de outras. Imitação dos antigos, cópia do real, cópia de uma cópia da Idéia. Loucura, êxtase, logos. Regresso à infância, coito, nostalgia do paraíso, do inferno, do limbo. Jogo, trabalho, atividade ascética. Confissão. Experiência inata. Visão, música, símbolo. Analogia: o poema é um caracol onde ressoa a música do mundo, e métricas e rimas são apenas correspondências, ecos, da harmonia universal. Ensinamento, moral, exemplo, revelação, dança, diálogo, monólogo. Voz do povo, língua dos escolhidos, palavra do solitário. Pura e impura, sagrada e maldita, popular c minoritária, coletiva e pessoal, nua e vestida, falada, pintada, escrita, ostenta todas as faces, embora exista quem afirme que não tem nenhuma: o poema é uma máscara que oculta o vazio, bela prova da supérflua grandeza de toda obra humana!

Como não reconhecer em cada uma dessas fórmulas o poeta que as justifica e que, ao encarná-las, lhes dá vida? Expressões de algo vivido e padecido, não temos outro remédio senão aderirmos a elas - condenados a abandonar a primeira pela segunda e esta pela seguinte. Sua própria autenticidade mostra que a experiência que justifica cada um desses conceitos os transcende. Será preciso, portanto, interrogar os testemunhos diretos da experiência poética. A unidade da poesia só pode ser apreendida através do trato desnudo com o poema.

Um poema é uma obra. A poesia se polariza, se congrega c se isola num produto humano: quadro, canção, tragédia. O poético é poesia em estado amorfo; o poema é criação, poesia que se ergue. Só no poema a poesia se recolhe e se revela plenamente. É lícito perguntar ao poema pelo ser da poesia, se deixamos de concebê-lo como uma forma capaz de se encher com qualquer conteúdo. O poema não é uma forma literária, mas o lugar de encontro entre a poesia e o homem.

O poema é um organismo verbal que contém, suscita ou emite poesia. Forma e substância são a mesma coisa. Mal desviamos os olhos do poético para fixá-los no poema, aparece-nos a multiplicidade de formas que assume esse ser que pensávamos único. Como nos apoderarmos da poesia se cada poema se mostra como algo diferente e irredutível?

A forma mais alta da prosa é o discurso, no sentido estrito dessa palavra. No discurso as palavras aspiram a se constituir em significado unívoco. Esse trabalho implica reflexão e análise. Ao mesmo tempo introduz um ideal inatingível, já que a palavra se nega a ser mero conceito, significado sem outra coisa mais. Cada palavra – à parte suas propriedades físicas - encerra uma pluralidade de sentidos. Assim, a atividade do prosador se exerce contra a natureza própria da palavra.

A palavra, finalmente em liberdade, mostra todas as suas entranhas, todos os seus sentidos e alusões, como um fruto maduro ou como um foguete no momento de explodir no céu. O poeta põe em liberdade sua matéria. O prosador aprisiona-a.

O poema, sem deixar de ser palavra e história, transcende a história. Sob condição de examinar com mais atenção em que consiste esse ultrapassar a história, podemos concluir que a plural idade de poemas não nega, antes afirma, a unidade da poesia.

Cada poema é único. Em cada obra lateja, com maior ou menor intensidade, toda a poesia. Portanto, a leitura de um só poema nos revelará, com maior certeza do que qualquer investigação histórica ou filológica, o que é a poesia. Mas a experiência do poema - sua recriação através da leitura ou da recitação - também ostenta uma desconcertante pluralidade e heterogenia. Quase sempre a leitura se apresenta como a revelação de algo alheio à poesia propriamente dita.

Para alguns o poema é a experiência do abandono; para outros, do rigor. Cada leitor procura algo no poema. E não é insólito que o encontre: já o trazia dentro de si.

Todos já fomos crianças. Todos já amamos. O amor é um estado de reunião e participação aberto aos homens: no ato amoroso a consciência é como a onda que, vencido o obstáculo, antes de se desmanchar, ergue-se numa plenitude na qual tudo - forma e movimento, impulso para cima e força da gravidade - alcança um equilíbrio sem apoio, sustentado em si mesmo. Quietude do movimento. E do mesmo modo que através de um corpo amado entrevemos uma vida mais plena, mais vida que a vida, através do poema vislumbramos o raio fixo da poesia. Esse instante contém todos os instantes. Sem deixar de fluir, o tempo se detém, repleto de si.

Objeto magnético, secreto lugar de encontro de forças contrárias, graças ao poema podemos chegar à experiência poética. O poema é uma possibilidade aberta a todos os homens, qualquer que seja seu temperamento, seu ânimo ou sua disposição. No entanto, o poema não é senão isto: possibilidade, algo que só se anima ao contacto dc um leitor ou de um ouvinte. Há uma característica comum a todos os poemas, sem a qual nunca seriam poesia: a participação. Cada vez que o leitor revive realmente o poema, atinge um estado que podemos, na verdade, chamar de poético. A experiência pode adotar esta ou aquela forma, mas é sempre um ir além de si, um romper os muros temporais, para ser outro. Tal como a criação poética, a experiência do poema se dá na história, é história e, ao mesmo tempo, nega a história.

O poema é mediação: graças a ele, o tempo original, pai dos tempos, encarna-se num momento. A sucessão se converte em presente puro, manancial que se alimenta a si próprio e transmuta o homem. A leitura do poema mostra grande semelhança com a criação poética. O poeta cria imagens, poemas; o poema faz do leitor imagem, poesia.

E ainda guardamos viva a sensação de alguns minutos de tal maneira plenos que se transformaram em tempo transbordado, maré alta que rompeu os diques da sucessão temporal. Pois o poema é via de acesso ao tempo puro, imersão nas águas originais da existência. A poesia não é nada senão tempo, ritmo perpetuamente criador.

“O Arco e a Lira” de Octavio Paz. Tradução de Olga Savary. Ed. Nova Fronteira, RJ, 1982. (Coleção Logos)

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

..há impossibilidade de ser além do que se é - no entanto eu me ultrapasso mesmo sem o delírio,sou mais do que eu, quase normalmente - tenho um corpo e tudo que eu fizer é continuaçãode meu começo......a única verdade é que vivo.Sinceramente, eu vivo.Quem sou? Bem, isso já é demais..."Clarice Lispector


 ‎"Quando te vi amei-te já muito antes:Tornei a achar-te quando te encontrei. Nasci para ti antes de haver o mundo.Não há coisa feliz ou hora alegre que eu tenha tido pela vida afora, que o não fosse porque te previa... "Fernando Pessoa


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

asas silenciosas


Vivo entre a linha tenue que separa a loucura da sanidade. Minhas doses de loucura e meus surtos de lucidez são vozes que brigam constantemente em meu ombro, sussurrando no meu ouvido solução. Adormeci durante anos minha ansia de fazer-me eu. Entreguei-me à armadilha do descontentamento viciado de estar presa a uma situação. Fui incoerente na minha decisão. Amarrei-me à beira da cama, deitando meus sonhos, enterrando pedaços de esperança mofada que ainda lutavam em resistir dentro do meu existir. Deixei de insistir. E por muitas vezes, abandonada de todas minhas crenças, matei os suspiros e assassinei minha inspiração. Prostitui minha essência, numa tentativa mórbida de desistência anunciada. Meu cheiro era de terra molhada pela furia do céu e em meus olhos o amanha desviava meu curso numa tempestade de desilusão.
Descobri, mergulhando nas profundezas do meu ser, que navegar-nos é preciso. Que somente explorando nossos mais íntimos anseios e necessidades ganhamos o poder de simplesmente existir da forma mais plena, serena, cheia. E para receber-te, antes necessitava chegar em mim. Mergulhei em cada pedaço de minha alma, numa busca incessante e numa sede interminável de decifrar meu nome.
Enfim, achei-me.
Achei-me em meia parte, resolvendo metade do que meu olhar incansavelmente ainda procurava achar. Reconstruí-me totalmente quando o vi caminhando em minha direção. Lentamente ele foi chamando minha atenção, roubando-me a cada verso numa gloriosa sensação de milagre. O meu sagrado começava a tomar forma, ja tinha som e gosto. E ao contrario do proposto pelo destino, nosso encontro teve um rosto muito definido. O rosto em forma de sorrisos que me ressuscitaram de todas as angustias que ja dominavam minha vida. Pelo rosto do tempo que andava perdido, brincando de ladrão, de roubar meu sentimento, de violentar minha intenção de ser feito de nuvens, de conto de fadas, de encantamento.
Fiz-me por inteiro quando cheguei a mim deixando-te invadir-me totalmente de maneira furiosa e doce. E todo meu sentimento de ser a bailarina da caixinha e musica que andava guardada cheia de poeira se transformou no infinito instante que meu olhar tocou seus labios, que seus labios tocaram meu coração. E cresci me enchi novamente com o tocar da musica que lentamente me convidava a dançar. Por suas mãos extendidas entendi o quanto te esperei. Por seu olhar cativante renasci minha paz, antes tao itinerante. Por seu abraço compreendi o significado da palavra doação. Pelo seu dom de iluminar vidas e dançar amor, enchi meu peito de inspiração. Respirei cada parte da sua arte, transformando-me em gotas que necessitavam transpirar-te para possuir-me outra vez. Faço de ti asas silenciosas que me convidaram a um passeio infinito em meu ser. Faço de ti meu amor além meu amado, meu milagre, minha salvação.

domingo, 5 de setembro de 2010

conspiração | inspiração...



http://www.youtube.com/watch?v=8TaFmlQxzLU

"Devo compararte a um dia de verão?
És por certo mais bela e mais amena
O vento em maio sacode as flores em botão
E a época do verão é bem pequena.

As vezes em calor e brilho o Sol se excede
Mas até o brilho do sol perde a beleza
E todo belo da beleza um dia se despede
Por acaso ou pelo curso das leis da natureza.

Mas teu eterno verão não vai findar
E a beleza que tens não perderás
Nem de ofuscar-te a morte pode ser gabar

Pois nesta estrofe eterna com o tempo crescerás.
Enquanto o homem respirar ou olhos possam ver
Meus versos vão durar e te farão viver."


William Shakespeare - soneto 18

segunda-feira, 30 de agosto de 2010



Cancelaram a primavera.

Ela andava meio desanimada com a antecipação do outono, que, sem cerimônia, se apoderou das flores ressecando suas pétalas de cristal. Decepcionou-se com tudo que entrou no meio, seja um mês ou um oceano. Foi descolorindo o céu, imenso, que de um azul desconcertante morreu em um púrpuro murmúrio gritando a noite. Beijando as estrelas que por cortesia vieram se despedir, os apaixonados embalados pela lua ainda faziam juras e pediam testemunha ao infinito. Ela estava distante, era tão itinerante, mas ele sempre soube que nunca foi um engano e que. de todos os amores, esse era o mais bonito.
Foram adiadas todas as cores que brincavam naquela estação. Atrasaram-se os trens. Tudo que estava de partida se partiu ao meio e a hora marcada mais parecia ironia de um destino desfeito. E tudo que foi semeado ficou na espera de ver acordar o calor. O amor era ela e ela era a primavera dos meus olhos, era meu néctar, meu sabor.
Os aromas que sutilmente fugiam entre as brisas brincalhonas, e os beijos embalados por toda aquela cor, tudo ali era questão de tempo, de entendimento que apesar de todo questionamento tinha seu momento de chegar.
E era meu beijo que solto pelo ar cruzava mares através do vento, levava meu chamado de saudade de alguém que sinto e não posso tocar.
Foi o imprevisto que veio pra dar incremento e mesmo assim não impedia o rio continuar correndo pro mar.
Toda a gama, os nuances e degrades aos poucos acinzentavam a esperança. Anoiteciam os sonhos e acordavam os minutos teimosos a não passar.
Passeando tanto tempo pela minha lembrança, ela corria como criança pedindo para brincar.
Ao amor que a vida jogou pra frente, fechei os olhos e joguei minha emoção.
Ela é o ano inteiro, é toda e qualquer estação. É o inteiro do meu meio, é metade do meu coração.
Ah, se eu pudesse ver voltar minha primavera!

* ESSA É PRA VC NINA! FORÇA CAROLINA!!!!!!!!!!!!